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Mostrando postagens com o rótulo Contos-Com-Z

Vozes Dos Animais

Se você "berra", você é um cabrito. Se você "grita", você é um porco na ponta da faca ou um ganso estérico... O Pintassilgo e o Pintarroxo “cantam” felizes, se não vêem o mundo quadrado. O Sagüi "assobia" pro Sabiá começar a "cantar", e o Sapo aproveita da cantoria e faz a Rã "coaxar". Quando o Besouro encontra a enigmática luz branca que o atrai, ele começa a "zumbir", até virar um zumbi depois de cair. À noite, o mosquito "zoa" nas minhas pernas brancas.De dia, nem sinal, não o vejo. Mas, Ah! Inseto danado!Eu vou é "paft" nessa tua audácia! A Pantera é uma Inês: ela “mia” quem nem gato, “rosna” que nem cachorro e rugi como um tigre. O Gato só fica no sofá “roncando”.Um carinho só já começa a “rosronar” .Está c/ fome, “mia”;quer leite, “rosnea” .Mas brabo, balança o rabo. Tamirez Paim Viamão , 7 de novembro de 2009.

CONTO NOVO: "Raios e Trovões- Sofhie tinha um namorado..."

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Sofhie é dessas de acreditar em todo e qualquer santo de estante. Deus me livre – pensava ela – quando passava por algum despacho em rua de cruz com as galinhas ainda correndo – “Xô, xô – saí pra lá bicho encomendado”! Sofhie tinha um namorado, muito bobinho e mimado pelos pais – diz ela que ele vivia era nas asas de sua mãe, que por menos não deixava de ser uma franga. Futura sogra dela era o que ela resumia de “bicho enciumado”. Não à toa! Vivia no meio de um bando de homens, por menos devia se sentir que nem cachorro no cio – querendo sempre marcar território! A louça suja era sua urina em poste! Não demorou muito para a Querida encher a casa de saquinhos pretos no fundo das gavetas. Quando eu descobri, tratei logo de dar fim nisso: toquei meu nome pelo dela! Alguns meses de rixa, quedas e vitórias, o namoro ia indo – a passo de boi! Não demorava muito pra “Galo Véia” anunciar o novo ringue – e eu já pensando em colocá-la na panela de ferro. Sofhie tinha um namorado! Garot...

Um Bairro Chamado Manaíra - Parte III

Além da cidade e de suas balburdias, o desejo prossegue escondido e suspeito no peito dos dois infiéis. As cruzes são seus temores. Planos e mais planos. É hora de largar tudo e amar loucamente. O infortúnio da vida está em não expressar o amor rebelado. Âmago escravo da mente é a paixão reprimida. Aquela que pulveriza cada milímetro da pele do amado. Profundo vazio é a solidão quando se está pronto para a reencarnação daquele espírito selvagem e avalassador que o amor... amor... amor. -Fujamos, querida. Pra bem longe, bem longe daqui. O que nos prende nisso? A não ser nosso desejo . - Embora, sim. Mas como abandonar tudo? Temo o que fazer. - É nossa vez, meu bem. Nossa hora de ser feliz. Tamirez Paim

O Conselho de Sentença - Parte II

As malícias brotavam dos conhecidos. A desconfiança alheia, com poucas sombras de dúvida, assustava-nos em doses letais. Tamirez Paim

O Encontro dos Inconfidentes - Parte I

- Às 15 horas? - Sim, espero-te lá. Sorrimos pela vergonha de nossa coragem. ... Tamirez Paim

Da Noite ao Dia - idéia descritiva

Mais do que sentir o calor do escaldante verão, cuja umidade no Sul deixa o corpo suando incessantemente, é sentir o fervor da raiva. Às vezes, é algo humanamente incabível de evitá-la, ainda mais quando o “capeta” toma o homem em transe. Mas à noite, quando o corpo pede trégua, os sapos dormem e os pernilongos vivem, poucas coisas aquecem um coração saudoso – cheio de saudade-, ainda mais nos extremos negativos do inverno. O dia amanhece, e o Sol dá mais brilho aos viventes do que calorias aos andarilhos nas ruas da Capital. A cidade amanhece vazia, como de costume e em qualquer lugar, e os que nela vivem, não em casas como os ricos e quase todos da classe média, expressão criada por sociólogos, mas debaixo das marquises e encostados em muros, com seus odores fétidos e aparência humilhante. A Capital antiga de festividades, dos tempos dos Açorianos, agora é circo com ausência de mimos. Do silêncio tranqüilo dos pampas, restam algumas ruas e poucos bairros afastados das grandes aveni...

Conto: Um Entardecer no Centro

O vento carregava as nuvens pequenas, mas cheias de água a cair entre os edifícios do Centro, e o céu escurecia mais tarde. Ela olhava para cima, via o mundo quadrangular por causa dos prédios. O guarda-chuva quebrado mais desdobrava-se a bem prazer da ventania - fresca e úmida - do que propriamente protegeria aquele pedaço de gente aflita. Nas esquinas, pessoas se amontoavam. Nas paradas, esperavam ansiosas os vagões de roda. Um dia que terminava no urbano humano. De a pé, ia apressada em passos largos desviando do povo, buracos, carros e motos. Ansiava por chegar em casa, entrar na Internet e ... registrar isso. Tamirez Paim

TROVA FIADA - pequeno conto

Estou sedenta por novidades, pensava ela irradiando curiosidade no corpo. Escorada no balcão da loja de móveis, onde trabalhava não fazia 1 ano, sabia que era tempo suficiente para renovar o rumo das coisas. Mas alguém havia escutado suas lamúrias juvenis, achou logo a vítima com um piscar de olhos e a puxou para si. Então ela falou-lhe se abanando: - Estou louca por novidades, coisas novas. - O que tens, guria? Que estás a falar aí pelos cotovelos, sussurrando sozinha? - Estou cansada das mesmas coisas TODOS os dias. Falta-me algo no corpo, algo no ego. Falta algo, sinto isso. - E o que tu queres que eu faça por ti? - Nossa! Que falta de espírito! Eu queria sair, conhecer gente nova, ter idéias! Queria novidades! - Arrume o que fazer então, isso é falta de ocupação. Vai trabalhar! De cara taxa, a vítima acabava de matar-lhe os suspiros da manhã. Agora ela própria confundia-se com a cena do crime. Estirada na lama, como um animal morto na estrada, o drama que criava da própr...

Cenas de Uma Quinta Chuvosa

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Era um dia frio. Era um Porto Alegre - 19 horas - e eu estava triste. Gotas de chuva cítricas debatiam-se no vidro embaçado, enfurecidas pelo vento - mundo que transpirava as agonias e as destrezas ingratas num agosto de quinta-feira. Estava agonizada. Corpo doído. Coração partido.

O Sicraninho e o Livrinho

Eram poucos em que Sicraninho acreditava ... Todos os dias era reprimido pelos olhos tristes seus pais por desejar comer mais da metade de um pãozinho salgado, trazido muito humildemente do Alambique Nossa Senhora, na esquina de sua rua no Bairro Jesus Também Foi Gente Como a Gente – mais conhecido na cidade de Piriri como Beco das Três Facadas. O jornaleco do município – O Diário de Piriri –, ainda com cheiro forte da tinta da impressão, estampava naquela quinta-feira a foto da Primeira Biblioteca Municipal da cidade, inaugurada no dia anterior pelo Prefeito, pelos 15 Vereadores e por alguns munícipes piririenses. O padre davas as bênçãos ao povo e aos novos livrinhos no domingo pela manhã. Sicraninho só pensava? - Se não tenho direito a comer um pãozinho, terei direito a um dia conseguir ler um desses livrinhos? Tamirez Paim, Viamão, 7 de fevereiro de 2009.

Que raio de mulher!

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A Separação Ela disse adeus a mim naquela manhã azulada de dezembro. Era princípio de verão , no ar o cheiro d’água que evaporava do pequeno lago em frente ao nosso lar doce lar. Pelo menos era pra ser, mas não foi. Ou foi? Não sei dizer ao certo. Ela me deu tchau sem muitas explicações plausíveis. Só gritava aquele raio de mulher. E eu ali, jogado às moscas sem nenhuma ação e estático. As forças tinham se esvaído de mim como torneira quando abre . Tempos bons que passam. Fazer o quê? Eu poderia me questionar. Ir lá correndo atrás dela gritando : Pelo amor de Deus, volta! Volta sua sem razão. É! E ela deu jeito de voltar? Eu tentava ser ao máximo delicada com ela; as palavras, no entanto, não saiam tão poéticas assim. A raiva já tinha enraizado nossas sutilezas e eu não conseguia mais me controlar. Só o relógio fazia isso, e mesmo assim eu vivia atrasado. Era tudo problemas, milhares deles sem soluções. E o que ela resolveu fazer : FUGIR! Tão prática e tão formosa, tal como um mam...

A mulher

A mulher O corpo latejava um líquido fervido- seu sangue escarno acelerado. Não tinha razões para mentir, era verão , era boas novas. Principiar de um novo ano, talvez o último de muitos tristes. Tinha motivos para se levar, desligar-se do áspero vazio da espera. Não buscava encontrar-se com a saudade, ela era fria e doce ao mesmo tempo. Pontadas, como facas, que atravessavam o peito erguido diante das mais corajosa impressão, marcada na pele, guardada na memória. Não abria a porta da esperança, o vulto sombrio dela poderia vir lhe abraçar e seria tarde demais para se entregar aos seus encantos malignos. Doce sereia rodeada de flores era ela, tempestuosa como uma chaga aberta ou graciosa com uma migalha de lembrança. Aquelas gralhas famintas lançavam-se na esperança de lhe provar-lhe, ao menos, sentir o aroma do perfume primaveril na seca rastejante dos seus corações. As lágrimas eram secas, regadas de ódio. Eram perversas. O desespero. O medo. O receio. Os pés.

erudita solidão

Caminhava pelas ruas escuras daquele mundo erudito, seus sentidos o levavam ao caminho delinear corpóreo daquela mulher . Não havia escolha, seu organismo desejava arduamente a provocação dos seus sorrisos nus. Os seus fios a bailar como o revoar nas folhas da primavera ventosa. Era noite. Era doído. Era a neblina a cair e a subir o ressonar das mágoas sublinhas . Era todo encarnação - propósitos indiscretos da juventude. Sentia a raiva secreta da mentira. O medo profundo dos seus temores. As possibilidades extinguiam-se. Os corvos já caminhavam ao lado seu. Ela era a causa mórbida da desgraça. Era algo secreto na imensidão da visão. Poderia ver o mundo, mas não desejava vê-la na consciência madura dos seus instintos. Seus passos se alargavam pelos pedregulhos do cascalho. A luz amena refletia a sombra das grandes árvores. Pensava nos desvarios travessos praticados no culme do alvorecer vazio da sua paixão solitária - reflexo dos atos insolentes eivados de receio amargo de vergon...

Intermitência do pavor...

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O cenário dos meus sonhos de Guerra acontecem no alvorecer do horizonte , na vista distante que vejo do alto do meu sítio. O sonho que tive esta noite iniciava lá. Percebi no entardecer um grande avião branco voando em círculos , acompanhado de mais um menor preto que o seguia e outro que o rodeava. Rapidamente, chamei meu pai para ver aquilo tão fora do comum e absurdo naquela ocasião. Não tardou muitos minutos, tivemos que nos esconder rapidamente para dentro da casa. Fechei as janelas dos quartos num desespero súbito de pavor. Bombas e explosões podíamos ouvir. Não tínhamos para onde correr. Estávamos ilhados dentro de nosso próprio lar. Certo momento, consegui ver tudo que acontecia no horizonte daqueles barulhos que amedrontavam até a alma mais calma. Era tudo escuro por imensas nuvens prateadas de horror. Nuvens menores acompanham o avermelhado das explosões. Pretume no céu, tiros e desgraça, homens fardados com roupas cinzas. Era uma catástrofe. Aproximava-se com tamanha ve...

Sem explicação plausível

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Não há explicação! Apenas o convívio indireto com a irretroatividade. Mudanças para mais, mudanças para menos? Não absoluta, pois do futuro, nem o acaso nem nós podemos nos precaver com tanta certeza. Relativa, aliás do que seria a natureza humana sem as migalhas da esperança? Se houvesse a possibilidade de edificação no grau maduro das vontades, ainda que banhadas por suposições nos atos ou disposições dos fatos, não restariam dúvidas quanto a eficácia provocada e motivada pelas atitudes infranaturais dos sentimentos. O homem, que pelo tamanho medo da incerteza deixa de compartilhar seu julgo de desejos e aspirações solidariamente, acaba retido no âmago do arrependimento, impossibilitado assim de viver e ousar a novas experiências, podendo vir a ser o calo dolorido da memória ou a chaga exposta da vergonha.

...sou suspiros

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... sou suspiros. Eu que imaginei tanta coisa, acabei com muito tudo e nada em si. Aquilo que procura no outro o que não tem pra si é um perverso demagogo . Bajulador em troca de pouco que o satisfaz. É tão inseguro, que busca nos outros a segurança e a chave mestra da felicidade. Quando gosta de alguém, por pouco tempo que tenha essa verdade, muito é o tempo que desperdiça remanejando os indícios, para que tal não descubra, apesar de saber. Seu corpo fica acanhado, escondido naquilo que não é o padrão esperado pela vontade geral. Há tanta falta de criatividade nessa mente déspota, sem o escrúpulo pudor de suas palavras, que desmerece as boas e sãs faculdades do espírito enamorado. Tem fome do que não sei ao certo... caminha pelos paralelepípedos... lê placas, sonha fantasias, vê tudo... até o que não lhe pertence. Quer descansar... aquietar o espírito de tantas provocações e tantas especulações. Será? Será? Será? Alma que já não pode mais esfriar-se com tantas míseras p...

Exorbitante carisma

Antes de seguir viagem à minha rotina exorbitante, quero manifestar as coisas que questionei e senti nos últimos 3 dias, ou melhor, algumas semanas. Se existe destino? Há, tenho lá as minhas dúvidas, mas que o destino de faz presente, disso não posso duvidar. Tem coisas que não se podem comparar, mas tem umas que são inevitáveis. Só que, quando elas ultrapassam a margem do pensado, e se transformam no inesperado, no cativante, no carinhoso, na conquista, tem seu valor extra e inesquecível. Sim, viver nas alturas. É possível? É possível distinguir alguém por características cativantes e animadoras da ordem divida do amor? Sim, acredite! Tudo pode acontecer de forma meiga e inesperada. Sim, não duvido do meu instinto! E acreditar ... é o mínimo que alguém pode fazer por si pra ser feliz! Acredite, a vida está nos pequenos detalhes. Não tenha dúvidas! Há coisas sem ordem esperada, tudo ao acaso. O mais lindo de tudo... a perfeição nas suas inquestionáveis imperfeições. Os mais simples...

Eu e a Pipoca

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O pacotinho de pipoca doce...Hum! Delícia! Caminhar e comer pipocas doces! Adocicar a rotina no sabor adocicado do milho. Poderia vir a ser um despacho, eram apenas pipocas carameladas. Ruas de Porto Alegre, sábado à noite, horário de verão, dia antecipado. Gotas do céu, chuva modificando minha visão. Ato perfeito... leve e calórico. Segundo dia de Feira do Livro, tudo charmoso no ar. O gosto de vitória, da saudade e da dúvida. Ir embora, ficar , estudar e amar? Qual delas viriam primeira? Paixão, encantamento...estariam elas transbordando meu espírito? Receber um TE AMO alheio, mil vezes mais vontade de seguir em frente sem desistir. Ser amada, admirada por pessoas importantes, de bom espírito...se amada e apoiada pela família. Ter boas relações com irmão...amar meus cães. Ser amada...prova de gratidão. Ser gostada...prova d amizade. Ter amigos, os vê-los...esperá-los! Ser feliz! Aproveitar cada olhar alheio, degustar a saborosa sensação da amizade e da certeza. Ser tu e ser feliz!

Noite de Pirilampos

Noite de Pirilampos Uma madrugada pelo caminho do cerrado brasileiro , em meio ao céu limpo e estrelado. Lua cheia e glamurosa alumiava todo o vasto campo maltratado pelo homem e seus devaneios. Um pensamento distante, no ronco do ônibus e no cochilo dos passageiros. Meu olhar deslumbrava a vista escura e desejosa da noite. Em algum lugar, deviam estar os pirilampos. Músicas nas orelhas e melodias do interior do Brasil. A vista era escura, com o toque claro da luz do luar. Existia sombra na sombria ausência de civilização, a não ser a estrada com suas desvirtuosas saliências . Mesmo com essas preocupações, era bom estar ali. Curtindo aquele momento. Aquela claridade penetrando a janela e retraindo pupilas , em plena madrugada ,no sertão do país. Mesmo assim, onde estavam os pirilampos? Viamão, 1 de agosto de 2008. Tamirez Paim

Zig-zag!

A noite ia passando, a lua fazia a volta no céu , as estrelas iam perdendo seu brilho e o sol amanhecia . Mais um dia aguardando o próximo anoitecer , e ela admirando o céu noturno. Sim, ela admirava e ia embora com ele . No dia, era a rotina . Aqui, ali, vem cá, volta de lá . Sobe no ônibus , desce da cama , liga o chuveiro, f echa o portão, caminha, caminha, caminha , abre a porta , fecha o casaco , atende o celular, escreve no caderno, lava o cabelo, pinta as unhas, passa na rua, dança na festa, tira o sapato, toma café, lê o livro, lava a louça, brinca com o cachorro, coloca o brinco.